segunda-feira, 31 de outubro de 2011

HAPPY HALLOWEEN


     Eu podia sentir algo diferente agindo em mim. Pensamentos suicidas, assassinos em minha cabeça. Sentia como se dentro de mim estivesse a minha alma e a de mais alguém, alguém do mal. Mexia-me lentamente, cuidadosamente, como movimentos de um assassino prestes a pegar mais uma vítima. Sentia meus joelhos tremerem e de minuto em minuto um arrepio dos pés a cabeça como se espíritos estivessem atravessando-me. Meus olhos então começavam a arder e ao me olhar no espelho, vi que estavam vermelhos, como se tivesse esfregado areia.  Um sono repentino me atingiu, fazendo com que eu me assustasse enquanto olheiras apareciam em meu rosto.
     Senti então um arrepio mais forte que os demais. Algo que me fez sentir mais pesado e mais forte. Uma força que não sabia que tinha, uma vontade de fazer o mal, sede de vingança, de morte. Queria ver manchas de sangue em todos os lugares, membros caídos ao chão, destroçados. Facas, cordas, armas…todos os meios de tortura a volta.
Era Halloween, no Brasil, o máximo de comemoração era a festinha para as crianças na escola. Meus pais estavam trabalhando e tinham deixado só eu e meu irmão sozinhos no apartamento. Saí do meu quarto, caminhei até a cozinha onde peguei o facão de churrasco do meu pai, em silêncio, com um olhar maligno e predatório caminhei até o quarto dos meus pais, onde meu irmão jogava Wii, escondi a faca pelas minhas costas, cheguei até ele que colocou “pause” no jogo e meu olhou perguntando o que havia de errado comigo. Sem responder, parei exatamente em sua frente e fiquei o encarando. Sem demonstrar medo, aquela criança corajosa de 13 anos e eu com lá meus 16, ele disse: “ Até parece que eu não sei que é Halloween. Tu não me assusta bobalhão.” e então me empurrou. Cambaleei para trás com um passo e então tudo saiu do lugar.
     Já não sabia mais onde estava, o que sentia e o que não sentia. Um calor subiu por meu corpo, sentia fogo, tudo queimava dentro de mim. A maldade me dominava, fazendo com que a única coisa que eu queria era estar sozinho naquele apartamento. Queria ver sangue, queria ver morte, queria sentir o prazer de matar. Queria ver com meus próprios olhos a dor de alguém prestes a morrer. Queria sentir em minhas mãos o sangue escorrer vindo da ponta daquele facão que ainda escondia em minhas costas. A raiva que sentia de meu irmão se misturava com todo aquele desejo e então saí de mim. Perdi o controle. Eu já não sabia se a alma presente em meu corpo naquele momento era minha ou do Diabo.
     Com um grito de raiva, levantei o facão sobre minha cabeça e ainda gritando fiz aquela lâmina passar de raspão passar no braço do meu irmão que agora gritava de dor segurando forte o rasgão em seu pulso, no qual jorrava sangue. Limpei as gotas se sangue que haviam pingado em meu rosto e, logo, queria mais, e mais.
     Levantei novamente a faca, fazendo o mesmo movimento de antes, só que desta fez, ficando no pé dele, a fazendo atravessar, me fazendo com que tivesse que fazer força para puxar de volta. Ao voltar a mim, pude ver o que havia feito e de acordo com a situação, não havia mais nada a ser feito, se não apelar para a morte. Escorrendo lágrimas de meus olhos, olhei para meu irmão que gritava desesperadamente e sussurrei: “Feliz Halloween seu trouxa” e virei o facão em minha direção, fazendo-o atravessar meu peito e perfurar meu coração, me matando na hora.


Escrito por : Júlia Saint - Pierre



3 comentários:

Gabriel... disse...

Não acredito...pra que que tu foi fazer isso com o teu irmão...

Duda Quadros disse...

Na verdade, esse texto foi a Júlia Saint - Pierre que fez... Eu, como adorei o texto dela, e pra registrar a data do Halloween, coloquei o texto dela no meu blog... Júlinha é muito maquiavélica... shauhsuas

João Victor disse...

Halloween é uma data especial dos estado unidos, foi trazido pra cá através dos cursinhos de inglês ;p

Gostei do texto!! parabens pra Julia!
Principalmente o final!!

Mata todz irmãos!